Artigo de Opinião

A liberdade de opinião

Parece ter amainado a pequena tempestade que agitou o Jornal de Sintra.

Os intervenientes directos expressaram as suas razões e o confronto, sempre inevitável, entre a liberdade de quem escreve e a liberdade de quem publica ganhou protagonismo.

Criar algumas regras no sentido de melhorar a objectividade e a clareza de alguns artigos de opinião não me parece nenhum drama. Parece-me até um direito, e uma obrigação, de qualquer jornal, pelo respeito que lhe devem merecer os seus leitores.

Se um artigo de opinião, basicamente importante, tiver vinte páginas, a decisão inteligente não é aceitá-lo ou recusá-lo. Essa é a decisão fácil. Não me choca que um artigo de opinião seja “negociado”, ou “cortado” desde que o essencial fique expresso. Basta ler qualquer jornal diário para se verificar que há cortes sistemáticos nas cartas/opiniões enviadas pelos seus leitores e acredito que, em grande parte dos casos, todos ficam a ganhar com isso.

Cortarem-me texto já me aconteceu um par de vezes. E claro que fica sempre a sensação de que alguma coisa se perdeu. Mas desde que o essencial se mantenha talvez isso comporte também algumas vantagens. Vista a coisa pelo lado do leitor talvez ele acabe afinal por nos ler, e não salte essa folha porque a achou demasiado densa, inconclusiva ou redundante.

Os jornais regionais devem ter critérios de evolução e de melhoria para que não percam leitores, para que não se transformem numa coisa chata e sem interese e nunca ultrapassem aquela dimensão provinciana que os faz desaparecer ou viverem de subsídios e favores.

Confrange-me sempre que os jornalistas se julguem intocáveis e os únicos donos da razão e da verdade.

Aflige-me que às vezes, no entusiasmo de nos expressarmos, nos desfoquemos um pouco dos leitores que são afinal a única razão para a existência de um jornal. Porque escrever para um jornal não pode nunca confundir-se com escrevermos para nós próprios.

Aflige-me em geral na sociedade portuguesa a intolerância, a incapacidade de ceder de vez em quando, a coragem sempre necessária para estabelecer consensos, a facilidade que temos de sermos verbalmente violentos, radicais, irredutíveis.

É assim na política, nas empresas no nosso próprio dia-a-dia.

Para bem do Jornal de Sintra (e também do país, creio eu!!) seria bom que todos pudéssemos encontrar a melhor forma de participar nos debates, enriquecendo-o, como fórum de ideias, sem dramatismos, sem ódios, sem querelas pessoais, sem confrontos estéreis.

Ficaríamos todos a ganhar com isso.

Nota: Este artigo é apenas a minha opinião sobre este tema e não pretende reflectir qualquer julgamento ou interpretação sobre os factos concretos que lhe deram origem.

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Maité para a fogueira! Já

Ela parece que se enganou no número 3 ao contrário numa casa aqui de Sintra.

Também se enganou em quase tudo o resto. Fez alarde da sua ignorância, apoucou-se a si própria. Como costuma dizer-se reduziu-se à sua insignificância. Merecia realmente um pouco de desprezo.

Mas não.

O país mobilizou-se, agitou-se, indignou-se, gritou, berrou, agrediu, ofendeu.

Ofendeu-se a si próprio.

Em vez de sorrir com esta espécie de anedota mobilizou-se para uma guerra, destilou a sua raiva, a sua frustração, a sua pequenez também. Nuno Markl diz que são os efeitos da menopausa e outras coisas do género. Ele não suporta as anedotas dos outros, especialmente se vierem de mulheres em menopausa. Só ele é que quer ser engraçadinho! Luísa Castelo Branco (é assim que se escreve?) aconselha a que não se comprem os seus livros e lança uma espécie de cruzada contra ela. E outras coisas piores.

São assim as coisas.

A ignorância faz despoletar a ignorância. Mas nós vamos ainda mais longe instigando ódios e propondo vinganças. Se ela cá voltar está tudo preparado para lhe dar um arraial de porrada e para lhe cuspir nas fuças.

No conjunto, e em questões de civilidade e comportamento social, conseguimos dar dez a zero à tal de Maité.

É bem feita que é para ela aprender!!!!!!


Carlos Daniel

1 comentário:

António Luís Lopes disse...

O problema não está em "encurtar" textos demasiado longos, nem me parece que a polémica surgida em torno desse assunto tenha a ver (sequer remotamente) com isso. O problema está em fazer aquilo que designo de "cirurgia temática" relativamente a determinado conteúdo, "amputando" apenas as partes que possam "desagradar" (ou alguém achar que possam "desagradar") a determinados "poderes". Não estou a afirmar que foi isso que sucedeu - mas creio que foi sobre isso que alguns colaboradores do jornal se queixaram e não pelo "encurtar" de um texto demasiado longo.